LITERATURA SURDA E AS NOVAS TECNOLOGIAS

booktubers e a expansão da Libras

Autores

  • Paula Aparecida Diniz Gomides Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
  • Valquíria Ferreira Ribeiro Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES)
  • Erliandro Felix Silva Instituto Federal de São Paulo (IFSP)
  • Isabela Marinho Menezes Universidade de Brasília (UNB)

Palavras-chave:

literatura surda, mediação de leitura, booktube, YouTube

Resumo

A Literatura surda tem se desenvolvido, sobretudo com o aumento das pesquisas relativas à comunidade surda, possibilitando o aumento da visibilidade da surdez a partir do ponto de vista cultural e da Libras, reconhecidamente a língua da comunidade surda. Esse tipo de literatura sempre esteve presente no universo do povo surdo. Contudo, seu registro impresso iniciou-se em um cenário mais recente com a publicação de alguns livros com adaptações e criações. Mais recente ainda é o compartilhamento das narrativas presentes na literatura surda na plataforma de compartilhamento de vídeos YouTube com canais voltados a essa comunidade, com foco na sinalização das histórias. Este trabalho investiga dois canais que se debruçam no compartilhamento de vídeos representativos da literatura surda com as histórias Cinderela Surda e O Patinho Surdo. Questionamos: qual o lugar da literatura surda e seu compartilhamento em vídeos do YouTube? Quais as contribuições dos booktubers, a partir da literatura surda para a expansão da Libras enquanto língua minoritária? Nossos resultados mostram que a presença dos booktubers auxiliam no reconhecimento da surdez como uma diferença e da Libras como uma língua de modalidade viso-espacial utilizada pela comunidade surda. Esses vídeos favorecem a construção de aportes identitários e culturais de valorização da surdez sob o ponto de vista cultural e, sobretudo, ensino e aprendizagem da Libras para surdos e ouvintes.

 

Biografia do Autor

Valquíria Ferreira Ribeiro, Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES)

Possui Licenciatura em Letras - Libras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) (2019). Atualmente é professora de Libras no Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES). É pesquisadora na área da Educação de Surdos, aquisição de Libras como língua materna e educação a partir da Literatura Surda. Certificada em Proficiência no uso e no Ensino da Língua Brasileira de Sinais - Libras pelo PROLIBRAS (2009).Especialização em Interculturalidade e Descolonização na Eduação de Surdos.(2022)

Erliandro Felix Silva, Instituto Federal de São Paulo (IFSP)

Eu sou negro, surdo e baiano. Atualmente, sou servidor efetivo técnico-administrativo em educação, no cargo de assistente de aluno, no Campus Ilha Solteira do IFSP. Além disso, sou mestrando em Educação Profissional em Tecnologia pelo Campus Porto Alegre do IFRS e membro do grupo de pesquisa Ubuntu da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e do grupo de pesquisa de Compreensão e produção escrita em língua portuguesa como segunda língua: experiências, desafios e perspectivas no Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES). Tenho mestrado em Linguística Aplicada pela Universidade de Taubaté (UNITAU) e especialização em Interculturalidade de descolonização na educação de Surdos e em Língua Portuguesa: leitura e escrita no ensino para Surdos, ambas pelo INES. Também possuo especialização em Informática na Educação pelo Campus S.R. Mangabeiras do IFMA e outra especialização, na modalidade de aperfeiçoamento, em Educação em Direitos Humanos na Universidade Federal do ABC (UFABC). Minha experiência profissional inclui trabalhos como professor substituto de Libras no magistério superior na Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS/Campo Grande), bem como atividades de extensionista nos cursos de Libras na UFJF e no curso de Libras EaD da Universidade Federal Fluminense (UFF). Além disso, atuei como Tutor EaD do curso de extensão de Libras na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e como bolsista auxiliar de tradução de Libras no IFRS. A minha área de pesquisa abrange o letramento étnico-racial na educação bilíngue de surdos, estudos literários e literatura surda, literatura africana e afro-brasileira, Ensino de Libras como L1 e L2, estudos surdos, produção de glossários, letramento racial para surdos e produção de materiais instrucionais para o ensino de Libras., bem como suas interseccionalidades.

Isabela Marinho Menezes, Universidade de Brasília (UNB)

Mestranda em Educação Profissional e Tecnológica pelo Instituto Federal do Mato Grosso do Sul, campus Campo Grande, especialista em Língua Brasileira de Sinais (Libras), pela Faculdade Campos Elíseos, Atendimento Educacional Especializado (AEE), Docência do Ensino Superior e Tutoria de Educação a Distância, Tradução e Interpretação da Língua Brasileira de Sinais pela Faculdade Batista de Minas Gerais, licenciada em Matemática pela Universidade Estadual Paulista ?Júlio de Mesquita Filho? (UNESP- campus Presidente Prudente) e licenciando Letras/Libras com ênfase em Português pela Faculdade Estácio de Sá do Rio de Janeiro. Efetiva no cargo de Tradutora e Intérprete de Libras pelo Instituto Federal de São Paulo, campus Presidente Epitácio, mas atualmente está requisitada para o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, na função de Chefe de Divisão de Diárias e Passagens na Coordenação de Geral de Logística da Subsecretaria de Planejamento, Orçamento e Administração, ligado à Secretaria Executiva, sendo Fiscal Administrativa dos contratos de Acessibilidade do Ministério. Desenvolve estudos sobre o ensino de função polinomial de primeiro grau para alunos surdos. Tem experiência em sala de aula como Professora de Matemática e como Tradutora e Intérprete de Libras Educacional para o ensino fundamental II, ensino médio, educação de jovens e adultos e cursos subsequentes.

Referências

BRASIL. Lei n. 10.436 de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – Libras e dá outras providências. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10436.htm. Acesso em: 17 jun. 2023.

BRASIL. Lei n. 14.191 de 3 de agosto de 2021. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), para dispor sobre a modalidade de educação bilíngue de surdos. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14191.htm#art2. Acesso em: 17 jun. 2023.

GOMIDES, P. A. D. et al. Cinderela surda: aspectos políticos-identitários na literatura surda como obras de (re)existência. Revista Educação Especial, [S. l.], v. 34, p. e48/1–25, 2021. Disponível em: https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/65961. Acesso em: 22 jun. 2023.

HOFFMANN, A. F.; GNISCI, V. M. R. Canais literários: redes de leitura e diálogo entre booktubers e seus seguidores. In.: PORTO, C.; SANTOS, E. (orgs). O livro na cibercultura. Santos (SP): Editora Universitária Leopoldiannum. 2019.

OLIVEIRA, H. C. de. Booktubers e bibliotecas: uma proposta de atuação inovadora de mediação de leitura. RICI: Revista Ibero-Americana de Ciência da Informação, v. 14, n. 1, p. 8-25, 2021.

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Publicado

2023-11-24

Como Citar

GOMIDES, P. A. D.; RIBEIRO, V. F.; SILVA, E. F.; MENEZES, I. M. LITERATURA SURDA E AS NOVAS TECNOLOGIAS: booktubers e a expansão da Libras. Anais do Encontro Virtual de Documentação em Software Livre e Congresso Internacional de Linguagem e Tecnologia Online, [S. l.], v. 11, n. 1, 2023. Disponível em: https://ciltec.anais.nasnuv.com.br/index.php/CILTecOnline/article/view/1113. Acesso em: 29 fev. 2024.